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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mensagens Pessoais: Definição de Saudade - POSTADO PELO WALDIR

Médico oncologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional, com toda vivencia e experiência que o exercício da medicina nos traz, posso afirmar que cresci e me modifiquei com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.

Dizem que a dor é quem ensina a gemer.

Não conhecemos nossa verdadeira dimensão, até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito mais além. Descobrimos uma força mágica que nos ergue, nos anima, e não raro, nos descobrimos confortando aqueles que vieram para nos confortar.

Um dia, um anjo passou por mim...

No início da minha vida profissional, senti-me atraído em tratar crianças, me entusiasmei com a oncologia infantil. Tinha, e tenho ainda hoje, um carinho muito grande por crianças. Elas nos enternecem e nos surpreendem como suas maneiras simples e diretas de ver o mundo, sem meias verdades.

Nós médicos somos treinados para nos sentirmos "deuses". Só que não o somos! Não acho o sentimento de onipotência de todo ruim, se bem dosado. É este sentimento que nos impulsiona, que nos ajuda a vencer desafios, a se rebelar contra a morte e a tentar ir sempre mais além. Se mal dosado, porém, este sentimento será de arrogância e prepotência, o que não é bom. Quando perdemos um paciente, voltamos à planície, experimentamos o fracasso e os limites que a ciência nos impõe e entendemos que não somos deuses. Somos forçados a reconhecer nossos limites!

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional. Nesse hospital, comecei a freqüentar a enfermaria infantil, e a me apaixonar pela oncopediatria. Mas também comecei a vivenciar os dramas dos meus pacientes, particularmente os das crianças, que via como vítimas inocentes desta terrível doença que é o câncer.

Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento destas crianças. Até o dia em que um anjo passou por mim.

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada porém por 2 longos anos de tratamentos os mais diversos, hospitais, exames, manipulações, injeções, e todos os desconfortos trazidos pelos programas de quimioterapias e radioterapia.

Mas nunca vi meu anjo fraquejar. Já a vi chorar sim, muitas vezes, mas não via fraqueza em seu choro. Via medo em seus olhinhos algumas vezes, e isto é humano! Mas via confiança e determinação. Ela entregava o bracinho à enfermeira, e com uma lágrima nos olhos dizia: faça tia, é preciso para eu ficar boa.

Um dia, cheguei ao hospital de manhã cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe. E comecei a ouvir uma resposta que ainda hoje não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

Meu anjo respondeu:
- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representava para crianças, que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indaguei:
- E o que morte representa para você, minha querida?
- Olha tio, quando agente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e no outro dia acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama não é?
(Lembrei minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, costumavam dormir no meu quarto e após dormirem eu procedia exatamente assim.)
- É isso mesmo, e então?
- Vou explicar o que acontece, continuou ela: Quando nós dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto, para nossa cama, não é?
- É isso mesmo querida, você é muito esperta!
- Olha tio, eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado". Boquiaberto, não sabia o que dizer. Chocado com o pensamento deste anjinho, com a maturidade que o sofrimento acelerou, com a visão e grande espiritualidade desta criança, fiquei parado, sem ação.
- E minha mãe vai ficar com muitas saudades minha, emendou ela. Emocionado, travado na garganta, contendo uma lágrima e um soluço,
perguntei ao meu anjo: - E o que saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não tio? *Saudade é o amor que fica!*

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um dar uma definição melhor, mais direta e mais simples para a palavra saudade: é o amor que fica!

Um anjo passou por mim...

Foi enviado para me dizer que existe muito mais entre o céu e a terra, do que nos permitimos enxergar. Que geralmente, absolutilizamos tudo que é relativo (carros novos, casas, roupas de grife, jóias) enquanto relativizamos a única coisa absoluta que temos, nossa transcendência.

Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas me deixou uma grande lição, vindo de alguém que jamais pensei, por ser criança e portadora de grave doença, e a quem nunca mais esqueci. Deixou uma lição que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Hoje, quando a noite chega e o céu está limpo, vejo uma linda estrela a quem chamo "meu anjo, que brilha e resplandece no céu. Imagino ser ela, fulgurante em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que ensinastes, pela ajuda que me destes.

Que bom que existe saudades! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC Recife Boa Vista D4500
Cremepe 5758"

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Mensagens Pessoais: Era uma vez um Neném ( para Luisinho que acaba de nascer)

Ana Lucia de Mattos Santa Isabel - analucia.orion@uvaol.com.br

Amados,
na cidade onde moro, nos limites do império, há um jornal semanal no qual tenho uma coluna.Coisa de pouca monta. Na edição desta semana , dou as boas vindas a esta vida a meu lindo neto.Luisinho, que nasceu nesta terça -feira.
Como toda avó é por natureza exibidade , sobretudo as leoninas, permitam-me dividir com vocês o texto em questão. Os curiosos, podem ver uma linda foto do pequeno em anexo.
Beijos a todos, Aninha, fada peregrina

Era uma vez um Neném ( para Luisinho que acaba de nascer)

Era uma vez um Reino que de tão antigo começou lentamente a ficar cinzento. Estava já perdendo a graça inerente a todo reino que se preza, quando o poderoso Rei, descobriu o que fazia o Reino triste e cinza. Lá não havia mais criança. O sábio e bondoso Rei, então, ordenou o nascimento de uma criança.

O bebê nasceu na tarde do último dia do primeiro mês da Primavera.Houve grande festa no Reino. Os arautos foram enviados aos quatro cantos para anunciar o nascimento. E de todo o Reino chegaram raríssimos presentes para abençoar a chegada do principezinho. Uns mandaram bênçãos, outros bons votos.Todos mandaram Amor.

Ah! Que belo menino. Trouxe, ao chegar, a marca dos grandes seres no olhar. Recebeu nome de Luis, filho da Luz. Nome muito de acordo com sua nobre estirpe.

Uma fada que há anos, muitos anos, peregrinava pelo Reino, ao tomá-lo no colo soube que o amaria para sempre e por mais que quisesse contar-lhe histórias e segredos, viu-se muda de doce espanto ante o milagre de seu rostinho tão rosado e doce.

Sua voz calou-se por instantes.Mas seu coração disse-lhe em segredo versos antigos de um amoroso poeta. Como os versos eram antigos e a fada mais ainda, ela fez umas mudanças para que as palavras do poeta ficassem bem para a ocasião. Os versos soaram como um desejo, uma bênçao , na antiga tradição das fadas. O fato é que os dois se entenderam. O poeta há de perdoá-la por tomar-lhe os versos de empréstimo.

O vento que espionava pendurado nas folhas do abacateiro que por lá havia, contou a quem quis ouvir, em segredo, os versos arranjados:

“Neném, vou dizer quanto eu te amo
Cantando o amor
Que nós plantamos
Que veio a tempo
Nesse tempo que carece
Dum carinho, duma prece
Dum sorriso, dum encanto

Neném , imagina o meu espanto
Ao ver você
Que cresceu tanto
Pois no silêncio mentiroso
Tão zeloso dos enganos
Hás de ser puro
Como o grito mais profano
Como a graça do perdão
E que você faça vir o dia
Dia a dia mais feliz
E seja da alegria
Sempre um aprendiz
Eu te repito
Este meu canto de louvor
Ao fruto mais bendito
Do Sagrado Amor”